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06/02/2017

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Professor gaúcho descomplica a Física em sala de aula


Fórmulas aparentemente sem solução, conceitos complexos e teorias indecifráveis são capazes de provocar pânico nas salas de aula. A metodologia do ensino de Física, nos últimos anos, está sendo questionada em várias partes do mundo – inclusive no Brasil – porque o objetivo principal do ensino da disciplina não é que os alunos decorem o conteúdo, mas que compreendam e desvendem os mistérios e os fenômenos que ocorrem na natureza. E é exatamente isso que acontece no Colégio Murialdo, em Caxias do Sul (RS). Com base em aportes teóricos de comprovada eficiência em instituições do mundo todo, a escola propôs o rompimento da ideia de que as aulas de Física são apenas momentos de transferência de informação do professor para os alunos.

A metodologia foi apresentada pelo professor Sandro Prass no IV Seminário Nacional Investigando Práticas de Ensino em Sala de Aula, promovido pela Editora Positivo, no ano passado. “Trata-se de uma metodologia ativa, de simples aplicação e excelente aceitação”, avalia Prass. A proposta é que os alunos discutam e analisem os conteúdos, propondo soluções e experimentos junto com o professor. “O projeto tem por objetivo elaborar um conjunto de estratégias de ensino-aprendizagem atraentes, dinâmicas e colaborativas, nas quais os estudantes se transformem em agentes ativos na construção das aulas”, explica.

Uma das estratégias começa no dia anterior à aula de Física. A turma tem a tarefa de pesquisar sobre o assunto e apresentar em sala de aula os elementos e características principais do tema. A partir daí, os alunos passam a organizar suas compreensões na lousa, formando um esquema conceitual. Em seguida, o professor propõe de duas a cinco questões teóricas que devem ser resolvidas, preferencialmente aos pares. As soluções são posteriormente apresentadas e debatidas por todos.

Outra tática apresentada por Prass relaciona-se à resolução de problemas mais complexos da Física. Neste caso, os alunos trabalham em grupos maiores e, além da apostila, utilizam outros recursos didáticos, como livros, revistas, pesquisas na internet e na biblioteca e até mesmo ensaios e experimentos no laboratório. As soluções desenvolvidas e as propostas são apresentadas e analisadas em sala de aula por todos. As tarefas de casa também ganham maior atenção. O professor dedica um espaço da aula para a correção, convidando os alunos a fazerem a leitura das questões. “Isso os motiva a propor respostas, oportuniza a todo o grupo contribuir e, finalmente, a construir uma resposta em conjunto com o professor”, explica Prass.

Em todos os momentos da aula, sempre que um aluno faz uma pergunta, é convidado a compartilhar com os demais sua possível resposta, o que estimula à turma a propor possíveis soluções e, colaborativamente, responderem a questão. O professor explica que a valorização das perguntas dos alunos é estratégica para a consolidação da aprendizagem. “No momento em que o aluno explica um conceito ou uma forma de resolução aos colegas, a aprendizagem se dá de forma extremamente mais simples, rápida e direta. Isto porque a maneira de comunicação entre eles obedece a uma lógica, uma linguagem, uma estruturação que facilita a compreensão de algo que o professor formalmente não estava conseguindo fazer. É o momento em que o aluno diz ‘é só isso?’ ou ‘agora sim’. Esta é uma estratégia de fenomenal eficiência que permite que a turma participe ativamente da aula”, detalha.

As estratégias de Prass estão sendo responsáveis por um grande salto na qualidade das aulas. “Percebi elevação das notas e, principalmente, nos resultados de indicadores externos (Enem, simulados e vestibulares). Vi os alunos estudando em casa os conteúdos antes da aula e se sentido valorizados no processo”, afirma. O professor cita o depoimento de uma aluna que ilustra sua avaliação: “obrigada por sempre mostrar o lado simples, o jeito descomplicado da Física, matéria que antes era meu pesadelo e hoje se tornou uma das mais queridas por mim”. Segundo Prass, é fundamental que os professores estudem, e muito, como se processa a aprendizagem na mente dos alunos. “Ao professor não basta saber bem o conteúdo, tem que despertar o aluno para que aprenda. É preciso aproveitar os conhecimentos prévios dos estudantes, que servem de alavancagem para a compreensão do que é novo e está sendo ensinado. Muitas vezes, deixando-os falar sobre determinado assunto, percebi que sobrará muito pouco para eu ensinar”, conclui. (Central Press)

Esta noticia foi publicada em 31/01/2017 no site http://paranashop.com.br/. Todas as informações contidas são responsabilidade do autor.
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